Barcelona sedia o Congresso Mundial de Cidades Inteligentes

Começou nesta terça-feira, 19 de novembro e vai até o dia 21 em Barcelona, na Espanha, a nona edição do Congresso Mundial de Cidades Inteligentes - Smart City Expo World Congress (SCEWC). Sob o lema "Cidades feitas dos sonhos", o evento destaca o progresso alcançado na promoção internacional do conceito de cidades inteligentes para enraizar um futuro sustentável e inclusivo.

Transformação digital, ambiente urbano, mobilidade, governança e finanças e cidades inclusivas serão os principais temas de interesse. Organizado pela Fira de Barcelona no recinto de feiras L'Hospitalet-Gran Via, o SCEWC recebe mais de 1.000 expositores, 400 palestrantes e representantes de 700 cidades, num espaço para exposições aumentado em 15%.

Estima-se que o grande evento tenha um impacto econômico de mais de 90 milhões de euros, de acordo com estudo do Instituto de Economia de Barcelona (IEB) da Universidade de Barcelona (UB).

Entre as empresas que participam da edição de 2019, Alstom, Amazon, Bosch, Cellnex, Cisco, Deutsche Telekom, FCC Environment, Huawei, Indria, Microsoft, Nokia, Seat e Siemens, são destaques.

 

 

Entenda o conceito "cidades inteligentes".

 

Segundo o jornal ABC (www.abc.es), no início desta década surgiu o conceito que parece estranho para muitos: as "Smart Cities”, ou Cidades Inteligentes. Tudo começou com o surgimento de novas tecnologias para as cidades, mas pouco a pouco está ganhando novos formatos. Afinal, nenhum país desenvolvido está alheio à revolução de suas cidades.

Sua definição é complexa e evolui com o tempo, mas há aspectos em que todos os especialistas concordam. As cidades inteligentes são - serão - aquelas que usam novas tecnologias para fornecer aos cidadãos serviços melhores e mais personalizados, com base em critérios de eficiência e sustentabilidade. Tudo muito etéreo e, à primeira vista, muito teórico. A mudança ocorre quando o conceito chega ao mundo real. Coloque-se no lugar do entregador que precisa baixar pacotes de uma loja. Primeiro, a mercadoria sobe para a van, depois segue seu caminho ... e quando chega ao seu destino, todos os pontos de carregamento / descarregamento encontrados são ocupados. Perder tempo na pesquisa de um lugar. Desta forma, as "cidades inteligentes" são capazes de antecipar esse problema e resolvê-lo antes que aconteça; Com uma cidade conectada, coletando dados a cada segundo, o motorista pode ser notificado de onde e quando terá uma vaga.

"Sete anos atrás, o conceito começou a funcionar, que vem das cidades digitais de 15 anos atrás", explica Adolfo Borrero, presidente da Comissão Ametic Smart Cities Commission. A verdade é que a aplicação de tecnologias à mobilidade, por exemplo, remonta a 30 anos; O mesmo se aplica ao fornecimento de aspersores de água em parques - ou energia - iluminação de lâmpadas de rua. O fator diferencial surgiu há alguns anos: «O que mudou foi o uso do celular, o smartphone, que coloca o cidadão no circuito para a tomada de decisões, o que antes não era feito».

Faz sentido focar nos cidadãos se as projeções da ONU forem analisadas: em 2050, 68,4% do mundo viverá em cidades do mundo (88% no caso da Espanha). “Estamos cada vez mais concentrando nossas vidas no ambiente urbano. E a digitalização e a globalização estão acelerando essa evolução. Simultaneamente, apenas a inovação e a tecnologia, instrumentos para transformar uma cidade, permitirão, entre outros fatores, que nossa qualidade de vida melhore, como aconteceu historicamente”, afirma Cándido Pérez, sócio responsável da KPMG Transportation na Espanha.

Assim, de acordo com a McKinsey & Company, as "cidades inteligentes" trarão benefícios em várias áreas: Redução da criminalidade de 30 a 40%; Aumento da empregabilidade entre 1% e 3%; Redução da doença entre 8-15%; Economia de tempo entre 15% e 20%; Diminuição no consumo de água entre 20% e 30%; entre outras. Além disso, em termos monetários, há um nicho a explorar: transformar as relações com a administração do papel em digital economizaria cerca de 8 euros (cerca de R$35,00) por procedimento, segundo a Comissão Europeia. No entanto, segundo governos, empresas e consultores, existem riscos. “Essas novas tecnologias - inteligência artificial, big data, etc, podem gerar uma “divisão digital” entre as cidades. Haverá quem pode adotar as rupturas e quem não pode. As tecnologias têm a característica de que seu impacto e o valor que geram são muito mais potentes do que os processos tradicionais”, defende Manuel Márquez, parceiro da Área de Consultoria do Setor Público da EY. Benefício para todos e empresas à espreita.

Agora, não se trata de avançar. O último especialista levanta uma questão: para que queremos as Smart Cities e que modelo queremos? Na Espanha, ele diz, estávamos monitorando os eventos sem deixar claro o objetivo; milhões de dados sem uso real. Agora começou a analisar o "para quê", dando inteligência a esses dados. "Às vezes você comete o erro de implementar a tecnologia e vê mais tarde o uso que ela pode ter", diz Márquez. Apesar disso, os especialistas concordam que o nosso país é uma referência mundial em “Cidades Inteligentes”. De fato, as cidades espanholas estão em todos os rankings. Barcelona e Madri estão no topo por sua capacidade de investimento e impacto na população, embora existam especialistas - Borrero, da Ametic - que argumentam que outros como Málaga ou Santander - também habituais nas listas - estão acima. Isso gera, novamente, duas Espanhas ... a tal ponto que pode haver uma situação em que grandes cidades nacionais têm mais em comum com outras como Bruxelas ou Londres do que com Badajoz. “A competição não será entre países e regiões, mas entre mega-cidades”, reconhece o parceiro da EY. Assim, de acordo com um estudo da KPMG, em 2030 já haverá 41 megacidades (mais de 10 milhões de habitantes), em comparação com apenas 18 quinze anos antes.

O Brasil participa do grande evento mundial com prefeitos e representantes de diversas cidades.

 

Edição brasileira

O Smart City Expo World Congress, que acontece anualmente na capital catalã, tem versões regionais ao redor do mundo. A edição brasileira do evento, organizada pela empresa especializada em soluções para cidades inteligentes iCities, é sediada em Curitiba e já tem a terceira edição confirmada para 2020. A viagem da comitiva oficial integra a agenda preparatória do iCities para o Smart City Expo Curitiba 2020.

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Última modificação em Domingo, 20 Junho 2021 05:55
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